A perseguição não é estranha ao Oriente Médio, e muito menos às suas mulheres. Desde os primeiros séculos da história da Igreja, as mulheres Cristãs desempenharam papéis indispensáveis na formação e na transmissão da fé – mas seguir o Senhor Jesus frequentemente teve um alto custo pessoal. Aqui, nos aprofundamos na perseguição sofrida por nossas irmãs em Cristo.
Ela se senta tranquilamente à sua mesa, mas por trás de seus olhos calmos reside a coragem de uma menina cuja fé e educação estão constantemente sob ameaça
Mulheres Cristãs carregam o fardo da perseguição
Tecla de Icônio (c. 30 d.C.), discípula do Apóstolo Paulo, desafiou as normas familiares e sociais para compartilhar o Evangelho, apesar das ameaças de violência. Febrônia de Nísibis (m. 304 d.C.), martirizada durante o reinado de Diocleciano, deu testemunho por meio de sua devoção inabalável até a morte. No século IV, Santa Nina da Capadócia (c. 296–338 d.C.) realizou trabalho missionário na Geórgia, divulgando o Evangelho a todo o povo, mesmo que sua visibilidade a expusesse à hostilidade e à resistência.
Esses exemplos atestam que o testemunho das mulheres no Oriente Médio sempre esteve entrelaçado com a perseguição, exercido em contextos hostis e sob a sombra da ameaça.
“O SENHOR deu a palavra; grande é a falange das mensageiras das boas-novas.”
Salmo 68.11 (ARA)
Em continuidade a este testemunho histórico, as mulheres Cristãs contemporâneas no Oriente Médio enfrentam provações que lembram as de suas antepassadas na fé. Elas suportam hostilidade não apenas por sua confissão de Cristo, mas também por causa de seu sexo e de sua condição minoritária. A perseguição moderna se manifesta em deslocamentos, violência sexual, casamentos forçados e marginalização sistemática, ecoando os perigos enfrentados pelas santas dos primeiros tempos, embora dentro das realidades políticas e sociais atuais.
Relatos de Cristãs Sírias convertidas sequestradas de suas casas, ou de mulheres Iraquianas que persistem na adoração apesar das ameaças, refletem a coragem de Tecla e Febrônia. Ao longo dos séculos, as mulheres Cristãs carregaram tanto o fardo da perseguição quanto o chamado ao testemunho, incorporando a verdade de que “venceram pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do seu testemunho” (Apocalipse 12.11), transformando o sofrimento em um testemunho que sustenta e fortalece a Igreja.
Marginalização: Vivendo na periferia da sociedade
Frequentemente, as mulheres Cristãs em muitos países do Oriente Médio se encontram à margem da vida pública, com suas vozes silenciadas.
Sua dupla identidade como mulheres e Cristãs as torna particularmente vulneráveis em sociedades onde grupos religiosos dominantes desfrutam de privilégios de representação e proteção. Essa marginalização é uma realidade vivida diariamente. Ela molda o acesso à educação, restringe oportunidades econômicas e limita a participação política.
Mulheres participando de uma aula de pós-alfabetização no Egito – um lembrete de que a marginalização continua sendo uma realidade cotidiana para muitas mulheres no Oriente Médio
No Egito, por exemplo, as mulheres Cristãs enfrentam frequentemente discriminação no emprego e na vida pública, com acesso limitado ao ensino superior e poucas perspectivas de avanço profissional.
Com o apoio do Barnabas, algumas mulheres Egípcias desfavorecidas podem frequentar aulas de pós-alfabetização e desenvolver novas habilidades. Mariam, uma jovem Egípcia, testemunha: “Esta aula me ensinou o meu valor, moldou minhas escolhas e me deu esperança para perseguir meus sonhos, incluindo me tornar médica”.
Maria, outra participante do programa, acrescenta: “Aprendi a viver e amar com base no que a Bíblia ensina”.
“Aprendi a viver e amar com base no que a Bíblia ensina.”
Maria do Egito
No Iraque e na Síria, a devastação da guerra e a ascensão de grupos extremistas deixaram as mulheres Cristãs especialmente expostas ao deslocamento, sequestro e casamento forçado, com suas vidas desestruturadas pela violência e hostilidade sectária. No Líbano, embora as liberdades sejam maiores em comparação, as mulheres das comunidades Cristãs minoritárias ainda enfrentam barreiras sutis que limitam sua influência tanto na vida cívica quanto religiosa.
Em toda a região, esses padrões de exclusão revelam como a fé e o sexo se combinam para aumentar a vulnerabilidade, mas também mostram como as mulheres continuam a cuidar das famílias, sustentar comunidades e dar testemunho de Cristo, apesar da marginalização sistêmica.
Sequestro, casamentos forçados e rapto: instrumentos de controle
O sequestro de mulheres Cristãs continua sendo uma das realidades mais devastadoras para as comunidades em todo o Oriente Médio. No Iraque, durante a ascensão do Estado Islâmico (EI, ISIS, ISIL, Daesh) entre 2014 e 2017, centenas de mulheres e meninas Cristãs foram sequestradas, muitas delas forçadas à escravidão e a casamentos coercitivos. Famílias em Mossul e nas planícies de Nínive relatam o desaparecimento repentino de suas filhas, cuja ausência deixa feridas que dividem comunidades inteiras.
Mulheres em um culto em Jaramana, na Síria [Crédito da imagem: Patriarcado de Antioquia]
Na Síria, especialmente a partir de 2011, durante a guerra civil, mulheres Cristãs em cidades como Aleppo e Homs foram alvo de sequestros tanto por grupos extremistas quanto por redes criminosas que exploram minorias religiosas.
Casamentos forçados, especialmente aqueles em que mulheres Cristãs são coagidas a se casar com homens Muçulmanos, continuam sendo uma realidade sombria em todo o Oriente Médio, muitas vezes após sequestro ou pressão da família. Mulheres jovens, especialmente as convertidas do Islã, correm um risco desproporcional. Nesses casamentos, sua liberdade de praticar sua fé, buscar educação ou participar de forma significativa na sociedade é severamente restringida. As pressões sociais e familiares frequentemente agravam a coerção, deixando as mulheres com pouco controle sobre o curso de suas próprias vidas.
A situação dos convertidos: Lidando com a hostilidade
No Oriente Médio, muitos conhecem Cristo vindos de outras religiões, muitas vezes enfrentando formas particularmente intensas de hostilidade.
Em muitas sociedades de maioria Muçulmana, a apostasia é condenada legal ou socialmente, deixando os convertidos ao Cristianismo — especialmente as mulheres — expostos à rejeição familiar e à violência comunitária, caso sua fé Cristã se torne conhecida. Jornadas secretas a locais de oração escondidos, mensagens codificadas trocadas em redes clandestinas e estratégias criativas para manter a fé, mesmo sob pressão, fazem parte da vida cotidiana dessas mulheres.
Em países como o Irã e a Arábia Saudita, as mulheres convertidas enfrentam consequências graves, incluindo prisão e ostracismo social. No entanto, apesar desses perigos, essas mulheres permanecem firmes na fé: elas assumem papéis importantes nas casas igrejas, nutrem a fé de outras pessoas, discipulam novos crentes e, de bom grado, não consideram nada como “perda” pelo fato de conhecerem a Cristo.
Perseguição além do Oriente Médio: o caso do Paquistão
Não muito longe do Oriente Médio, meninas Cristãs no Paquistão enfrentam sérias ameaças de sequestro, conversão forçada ao Islã e casamento coercitivo com homens Muçulmanos. Muitas vítimas estão abaixo da idade legal para se casar, e as autoridades muitas vezes não intervêm.
Mulheres Cristãs Paquistanesas mantêm sua fé e esperança, enfrentando a discriminação sistêmica e construindo redes de apoio, apesar da pressão social e religiosa
Esses padrões de abuso refletem os desafios enfrentados pelas mulheres Cristãs em todo o Oriente Médio, demonstrando que a fé e o sexo continuam tornando as mulheres particularmente vulneráveis em sociedades onde as minorias religiosas carecem de proteção. Mesmo em contextos mais estáveis, a discriminação institucionalizada persiste no emprego, na herança e na representação política.
No entanto, apesar desses desafios consideráveis, as mulheres Cristãs demonstram uma fé e um compromisso notáveis. Elas cultivam suas crenças em segredo, criam os filhos com esperança e contribuem de forma discreta, mas sólida, para suas comunidades. O apoio das igrejas e de outras organizações não governamentais (ONGs) por meio de aconselhamento, assistência jurídica e espaços seguros tem sido essencial; no entanto, as próprias mulheres muitas vezes atuam como arquitetas da sobrevivência, criando redes espirituais e sociais informais que sustentam tanto a dignidade pessoal quanto a vida comunitária.
Como você pode orar
Pai Celestial, apresentamos em oração as mulheres Cristãs do Oriente Médio. Conceda a elas coragem quando o medo as cercar, força quando a opressão pesar sobre elas e esperança quando o caminho parecer incerto. Proteja seus corpos, mentes e espíritos; envolva-as em comunidades amorosas e guie aqueles em posições de poder para agirem com justiça. Que Sua luz brilhe nas trevas, que a fé delas perdure, florescendo mesmo diante da perseguição, e que elas continuem a proclamar as Boas Novas.