O Oriente Médio entrou em uma fase profundamente instável e dolorosa, com o conflito que começou em 28 de fevereiro afetando quase todos os países da região. Inúmeras vidas e comunidades estão sendo afetadas. Em meio a essa turbulência, a Igreja no Oriente Médio continua testemunhando Cristo, oferecendo esperança, cuidado e presença fiel aos deslocados e traumatizados em toda a região.
Uma “casa igreja” clandestina no Irã [Crédito da imagem: Transform Iran]
O que está acontecendo no Irã?
No sábado, 28 de fevereiro, os Estados Unidos e Israel lançaram ataques generalizados contra a infraestrutura de mísseis, instalações militares e líderes de alto escalão do Irã.
Entre os mortos está o Líder Supremo do Irã, Aiatolá Ali Khamenei, que governava o país desde 1989. Ele foi morto quando seu complexo residencial em Teerã foi destruído durante a primeira onda de ataques.
Dezenas de figuras políticas do alto escalão e líderes do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC, da sigla em Inglês) também foram mortos. Desde então, o IRGC nomeou um novo Comandante em Chefe, Ahmad Vahidi. Mais de 700 civis também podem ter perdido a vida.
Como o conflito afetou os Cristãos Iranianos?
Os Cristãos do Irã viveram por décadas sob intensa pressão do governo do Aiatolá Ali Khamenei, enfrentando restrições legais, vigilância rigorosa, prisões e o peso constante da incerteza. Muitos crentes fiéis suportaram sofrimento simplesmente porque escolheram carregar sua cruz e seguir Cristo todos os dias.
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Os Cristãos que falam Farsi (Persa) são convertidos do Islã, são tratados com hostilidade como apóstatas do Islã e criminalizados como supostas ameaças à segurança nacional. O culto em Farsi é proibido há muito tempo, e os convertidos devem se reunir em “casas igrejas” clandestinas ou de outras formas secretas para evitar serem detectados. Muitos de nossos irmãos estão na prisão.
Os crentes no Irã estão cautelosamente otimistas de que o país possa avançar para um lugar onde haja maior liberdade para viverem sua fé, adorarem sem medo e compartilharem o Evangelho com seus vizinhos.
No entanto, também há a preocupação de que, se a incerteza atual levar a um caos e instabilidade de longo prazo, elementos extremistas que apoiam a República Islâmica possam acabar em uma posição que torne a vida dos Cristãos ainda mais difícil do que era antes.
Cristãos Libaneses novamente deslocados
Na madrugada de 2 de março, ataques do grupo terrorista Hezbollah contra Israel arrastaram o Líbano ainda mais para o conflito regional que se expande.
A cruz do Vale Kadisha, na região do Monte Líbano, uma região historicamente associada às comunidades Cristãs. Milhares de Cristãos fugiram para a região em busca de refúgio do conflito do final de 2024. [Crédito da imagem: Brian Dell/Wikipedia]
No Líbano, dezenas de ataques aéreos Israelenses atingiram os subúrbios ao sul de Beirute, enquanto muitos outros atingiram o sul do país. Na madrugada de segunda-feira, ordens de evacuação em massa foram emitidas para mais de 50 vilarejos no sul do Líbano. Dezenas de milhares de pessoas estão agora deslocadas, buscando refúgio em escolas, prédios públicos e qualquer abrigo disponível. As necessidades são imensas e devem aumentar à medida que o conflito se intensifica, sem um fim imediato à vista.
“Justamente quando pensávamos que poderíamos respirar novamente, imagens de pessoas fugindo do sul em direção a Beirute são uma realidade mais uma vez”, disse um contato do Ajuda Barnabas no Líbano. “Quanto mais nossa região pode suportar?”
O Líbano tem uma presença Cristã significativa no Oriente Médio há muito tempo. Cerca de 32% da população se identifica como Cristã. Estima-se que o número de crentes de origem Muçulmana (MBBs, da sigla em Inglês) tenha crescido de cerca de 2.500 em 2010 para aproximadamente 10.000 em 2025. Os seguidores de Cristo vivem em meio a pressões políticas, econômicas e sectárias significativas.
“Vivendo entre promessas e pressões”
No domingo, 1º de março, um míssil Iraniano penetrou nas defesas aéreas de Israel e atingiu uma área residencial em Beit Shemesh, destruindo uma sinagoga e matando civis que haviam se refugiado em um abrigo antiaéreo. O ataque ressalta os perigos enfrentados pelos civis Israelenses, juntamente com aqueles em todo o Oriente Médio.
O exterior da Igreja de Cristo, em Jerusalém. Os Cristãos locais estão entre os que estão em perigo devido ao conflito crescente [Bahnfrend / Wikipedia]
Os seguidores de Cristo continuam sendo uma pequena minoria no país, representando aproximadamente 1,34% da população. Três quartos dos Cristãos são de origem Árabe; há também vários milhares de Judeus Messiânicos.
Nos últimos quinze anos, o número de MBBs na Cisjordânia cresceu de cerca de 100 em 2010 para cerca de 500 em 2025. Embora pequeno em número, esse aumento de cinco vezes reflete um movimento silencioso, mas significativo, de fé em meio a um cenário religioso e político complexo. No entanto, o discipulado continua frágil, exigindo sabedoria e cuidado pastoral contínuo. O testemunho da Igreja é expresso não apenas por meio da proclamação, mas também por meio da reconciliação, da pacificação, do cuidado com traumas e da presença fiel em meio à incerteza.
“Estamos vivendo entre promessa e pressão, a condição de minoria e o chamado missionário”, disse um líder de igreja local. “As estatísticas mostram números pequenos; a realidade vivida mostra uma fidelidade de alto custo.”
Como você pode orar
- Peça que as esperanças cautelosas de nossos irmãos no Irã por maior liberdade para adorar, viver sua fé e compartilhar o Evangelho sejam atendidas.
- Ore por consolo para aqueles que foram deslocados e estão buscando refúgio. Peça ao Senhor que os cerque com Sua presença, providencie segurança, abrigo e sustento, e os assegure de que não foram esquecidos nem abandonados em seu momento de necessidade.
- Por favor, lembre-se das crianças traumatizadas pela violência e pela instabilidade. Ore para que Deus leve cura aos seus corações e mentes. Ore por comunidades acolhedoras ao seu redor, por proteção e para que sementes de esperança criem raízes, para que o medo e o desespero não definam seus futuros.
- Interceda pela Igreja, para que continue a abrir amplamente suas portas aos necessitados, tornando-se um lugar de abrigo e esperança. Peça que as congregações expressem o amor de Cristo de maneiras práticas e espirituais, oferecendo cuidado, proteção e encorajamento àqueles que estão feridos e vulneráveis.
- Louve ao Senhor porque, independentemente dos acontecimentos deste mundo, Sua Palavra “para sempre está firmada nos céus” (Salmo 119.89).