“Agradecemos a Deus por nos manter vivos”

"N ão há palavras para expressar nossa gratidão àqueles que nos doaram estes alimentos”, disse “Sarah” ao agradecer os apoiadores do Barnabas.

Sarah está entre os 3.290 Cristãos desesperados e famintos, que receberam arroz, espaguete, sal e óleo de cozinha financiados pelo Barnabas para sustentá-los depois de serem expulsos de suas casas por militantes Islâmicos em Burkina Faso. A maioria dos beneficiados desta última entrega de ajuda do Barnabas foram crianças - mais de 2.000 com menos de 15 anos.

Por muitos anos, os jihadistas têm travado uma campanha de terror centrada nas regiões norte e nordeste de Burkina Faso, grande parte dela visando as comunidades Cristãs e líderes da igreja.

Mais de 40% de Burkina Faso está sob o controle dos extremistas. Milhares de vidas civis foram perdidas; igrejas foram destruídas ou fechadas; casas, fazendas e plantações estão em ruínas; mais de 6.000 escolas foram fechadas e mais de dois milhões de pessoas foram forçadas a fugir para salvar suas vidas..

A história de Sarah  

Sarah é uma entre esses dois milhões. Os terroristas chegaram a sua vila em um domingo, assim que o culto na igreja havia terminado. Sarah e seus amigos estavam se cumprimentando e compartilhando a empolgação sobre seu casamento, que deveria acontecer no dia seguinte.

Crianças da congregação, que momentos antes tinham corrido para fora para brincar, voltaram para dizer que havia “pessoas estranhas” no local. Os estranhos eram, nas palavras de Sarah, “muito armados”.

“Eles nos cercaram e mandaram todas as mulheres sentarem debaixo de uma árvore ao lado da igreja”, disse ela ao Barnabas. “Alguns deles ficaram para nos manter sob controle para que não corrêssemos ou chorássemos”.

“Eles perguntaram: ‘Quem é o líder de vocês?’ Nosso pastor respondeu que ele era o líder. E eles levaram os homens - o pastor, um diácono e outros membros. Seis pessoas no total”.

“Eles os levaram atrás do prédio da igreja. Eles os deitaram lá... Pediram que nos curvássemos e eles começaram a atirar atrás da igreja. Depois disso, nos alertaram para não nos movermos”.

Os terroristas saquearam a vila, levando toda a comida e o gado da comunidade. Eles roubaram os presentes de casamento de Sarah. Antes de partirem, eles incendiaram o prédio da igreja.

Os sobreviventes traumatizados enterraram seus mortos, e oraram.

“Agradecemos a Deus por nos manter vivos”, disse Sarah. “E também agradecemos a Ele por aqueles que foram para a glória antes de nós”.

“Sabemos que se Deus não permitisse que isso acontecesse, não teria sido assim”, acrescentou ela.

Sarah e seu marido fugiram de sua comunidade junto com outros moradores para procurar refúgio na cidade mais próxima, já repleta de pessoas deslocadas internamente (PDI).

Seu marido lutou para encontrar trabalho para comprar comida para Sarah, que já estava grávida. Na maioria das vezes, eles passavam fome.

Enfraquecida pela falta de alimentação, Sarah entrou em trabalho de parto e, apesar dos melhores esforços dos médicos, seu bebê - um menino - nasceu morto e Sarah quase morreu.


“Eles começaram a atirar atrás da igreja. Depois disso, nos alertaram para não nos movermos”

 

Cristãos têm ajuda alimentar recusada pelo governo

Nossos parceiros de projeto dizem que há muitas PDI Cristãs traumatizadas que, como Sarah, precisam urgentemente de alimentos.

A distribuição de ajuda alimentar do governo é rara, e aos crentes às vezes é recusado uma parte pelos oficiais Muçulmanos por causa de seus nomes que soam como Cristãos. Outros Cristãos deslocados internos não puderam se registrar por terem fugido sem suas cédulas de identidade ou certidões de nascimento.

Nossos parceiros nos disseram que a situação se tornou muito pior. Mais Cristãos estão fugindo de suas casas por causa da crescente violência e precisam de ajuda, mas muitas vezes não há alimentos disponíveis para comprar. O agravamento da situação de segurança torna cada vez mais perigosa a entrega de ajuda por parte de nossos parceiros.

“Mas pela graça de Deus sempre encontramos maneiras e sabedoria para servir”, disse um líder Cristão. “É um enorme privilégio poder servir como um canal de conforto para aqueles que precisam dele de forma crucial”.

Ele acrescentou que, ainda que muitos Cristãos tenham se esforçado para encontrar palavras para expressar seus agradecimentos pela ajuda alimentar financiada pelo Barnabas, “há um grande sentimento de gratidão nos corações e nos rostos dos milhares de deslocados internos aos quais estamos encaminhando seu apoio imensurável”.

Barnabas financia escola para crianças Cristãs deslocadas

Algumas crianças Cristãs deslocadas pela violência em Burkina Faso foram impedidas de entrar nas escolas do governo por causa de sua fé.

Crianças Cristãs como “Albertine” fugiram de seus lares por causa da violência extremista. A muitos foi negado um lugar nas escolas do governo por causa de sua fé

Mesmo crianças não Cristãs podem ser privadas de um lugar só porque já haviam frequentado uma escola Cristã.

O Barnabas financiou uma nova escola de emergência para permitir que 300 crianças Cristãs deslocadas, com idades entre 6 e 14 anos, continuassem seus estudos. Cada criança também recebe uma refeição quente durante cinco dias por semana.

A escola proporcionou empregos para professores Cristãos e eles receberam treinamento para que pudessem responder às necessidades das crianças traumatizadas pelas situações difíceis que sofreram.


Referência do projeto: PR1596 (Escola de emergência para crianças deslocadas internamente em Burkina Faso)

Referência do projeto: PR1491 (Vítimas de violência em Burkina Faso)

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