Terroristas Islâmicos reivindicaram a autoria do assassinato de 76 Cristãos durante uma vaga de violência que se prolongou por duas semanas na região de Beni, em Kivu do Norte, na República Democrática do Congo (RDC).
A região faz fronteira com Ituri, o epicentro do atual surto de ébola, com 487 casos confirmados dos mais de 515 registrados no nordeste da RDC.
Pelo menos dois casos confirmados do virus do ébola foram divulgados na região de Beni.
Combatentes da Província da África Central do Estado Islâmico renovaram sua bay’a (juramento de lealdade) ao Estado Islâmico em 2023. O grupo já matou quase 6.500 Cristãos no nordeste da República Democrática do Congo desde que fez esse juramento pela primeira vez em 2017 [Crédito da imagem: Caleb Weiss/X]
Combatentes da Província da África Central do Estado Islâmico (ISCAP, da sigla em Inglês) massacraram 16 Cristãos na vila de Mayangose no domingo, 31 de maio.
Um dia antes, 10 fiéis haviam sido capturados na mesma vila e assassinados numa execução.
No mesmo dia, 15 Cristãos foram mortos num ataque do ISCAP à vila de Buikine.
Essas atrocidades ocorreram após o assassinato de 16 pessoas perto da cidade de Oicha a 25 de maio. Outras 19 pessoas foram mortas em três ataques distintos ocorridos em diferentes partes de Beni no dia 2 de junho, segundo informações do Consórcio de Rastreamento e Pesquisa sobre Terrorismo.
Pelo menos 1.130 Cristãos mortos em 18 meses
O ISCAP já reivindicou a morte de pelo menos 1.130 Cristãos no nordeste da RDC desde que a sua campanha de violência jihadista se intensificou em dezembro de 2024.
Seus combatentes costumam exigir que as comunidades se convertam ao Islamismo, aceitem o status de dhimmi como pessoas subjugadas (supostamente protegidas) ou enfrentem a morte.
No Islamismo clássico, Cristãos e Judeus (identificados como "povo do livro") têm a opção de se tornarem dhimmi e viver sob o domínio Islâmico. Aceitar tal status envolve seguir muitas regras regulamentos humilhantes, incluindo o pagamento do imposto jizya.
A região de Beni, em Kivu do Norte, foi o epicentro da epidemia de ébola de 2018-2020, que provocou 2.266 mortes na República Democrática do Congo [Crédito da imagem: Vincent Tremeau/Flickr]
No início de maio, após o massacre de cerca de 60 Cristãos (também na região de Beni), uma declaração publicada nos canais de mídia social do Estado Islâmico (EI, ISIS, ISIL, Daesh) afirmava, “Que os adoradores da cruz saibam que não terão segurança a não ser que se submetam voluntariamente ou paguem a jizya em humilhação.”
Um relatório recente destacou a "extrema brutalidade" praticada pelo ISCAP (anteriormente conhecido como Forças Democráticas Aliadas ou ADF, da sigla em Inglês), incluindo assassinatos em massa, trabalhos forçados, tortura, abusos e violência sexual.
Atrocidades semelhantes foram cometidas por membros do movimento rebelde M23, que, segundo estimativas, teriam morto entre 900 e 2.000 pessoas apenas no ataque de 2025 a Goma, então capital provincial de Kivu do Norte.
A instabilidade provocada pelo ISCAP, pelo M23 e por outros grupos armados está a comprometer gravemente os esforços de resposta à emergências desencadeada pela confirmação do surto de ébola, a 15 de maio.
Acredita-se que mais de 200 pessoas tenham morrido de ébola no nordeste da RDC.
Como podes orar
Peça ao Senhor que quebre o poder dos Islamistas que aterrorizam e ameaçam o Seu povo em todo o nordeste da República Democrática do Congo. Ore pelo fim de todos os conflitos armados na região. Ore também pelo sucesso dos esforços para conter o vírus do ébola e pelo tratamento daqueles que contraíram a doença.